sábado, 31 de janeiro de 2015

CARTA AOS MEUS AMIGOS‏ - EDUARDO GOSSON




CARTA AOS MEUS AMIGOS‏ 

Ações eduardo antonio gosson 16:22 Manter esta mensagem na parte superior de sua caixa de entrada Para: AGUEDAZERONCIO, ALBANISA, ALEXANDRE ABRANTES, ALEXANDRE ATMARAMA, ALEXANDRO GURGEL, ALUIZIOMATIAS, AMAURY MOURA, ANA AMELIA, ANA ANGELICA, ANA ARAUJO, ANA MARIA COCENTINO, ANCHIETAFERNANDES, ANDRE VALERIO SALES, ANGELICA VITALINO, ANGELO MARIO DE AZEVEDO DANTAS, ANISIO MARINHO NETO, ANNA MARIA CASCUDO BARRETO, ANNE CAROLINE, ANTONIO RODRIGUES NETO, ARACELI SOBREIRA BENEVIDES, ARIMA, ARLINDO DE MELO FREIRE, ARMANDO HOLANDA, ARNALDO AFONSO, BENE CHAVES, BETANIA RAMALHO, CAIO ALENCAR, CAIO CESAR MUNIZ, CAIO FLAVIO FERNANDES DE OLIVEIRAES, CAMPELO, CARLOS ADEL TEIXEIRA DE SOUZA, CARLOS HENRIQUE DIAS FIALHO, CARLOS MORAIS DOS SANTOS, CARLOS NEWTON DE SOUZA PINTO, carlos_bezerra47, CARLOSGOMES, CEFAS CARVALHO, CICERO MACEDO, CICERO MACEDO, CID AUGUSTO DA ESCÓSSIA ROSADO, CINTHIA LOPES, CIRO, CLAUDER ARCANJO, CLAUDIA MAGALHAES DE OLIVEIRA, CLAUDIA SANTA ROSA, CLAUDIONOR BARROSO BARBALHO, CLOTILDE SANTA CRUZ TAVARES, CONCEIÇAO FLORES, CONCEIÇÃO MACIEL, CRISPINIANO NETO, CULTURA, DALIAANA CASCUDO ROBERTI LEITE, DAVID LEITE, denisepoetica, DIOGENES DA CUNHA, DIULINDA GARCIA, EDUARDO ANTONIO GOSSON, eduardogosson@tjrn.jus.br, EIDER FURTADO DE MENDONÇA E MENEZES, ELINEÍ ARAUJO DE ALMEIDA, EMMANUEL, ESPEDITO MOREIRA DE MELLO, ESTER DE MORAIS FERREIRA, EVERALDO BOTELHO, FATIMA BEZERRA, FELIX CONTRERAS, FLAUZINEIDE MOURA, FRANCISCO ALVES DA COSTA SOBRINHO, FRANCISCO MARTINS, FRANCISCO RODRIGUES DA COSTA, GEORGE ANTONIO DE OLIVEIRA VERAS, GEORGE LUIZ ROCHA DA CAMARA, Geralda Efigenia, GERALDA EFIGENIA, GERALDO JUNIOR, GERALDO RIBEIRO TAVARES, GIANINE CUNHA COSTA, GILMARA DAMASCENO, GILVANIA MACHADO, GONZAGA CORTEZ, GUTENBERG MEDEIROS COSTA, GUTO GIOVANI DE OLIVEIRA CASTRO, HORACIO DE PAIVA OLIVEIRA, IVAN JUNIOR, IVONCISIO MEIRA DE MEDEIROS, JANIA MARIA SOUZA DA SILVA, JARBAS MARTINS, JOAO BATISTA DE MORAIS NETO, JOSE ADALBERTO TARGINO ARAUJO, JOSE CORREIA TORRES NETO, JOSE DA LUZ COSTA, JOSE DE CASTRO, JOSE FERREIRA DA ROCHA, KACIANNI DE SOUSA FERREIRA, LIACIR LUCENA, LISBETH LIMA DE OLIVEIRA, LIVIO ALVES ARAUJO DE OLIVEIRA, LUCIA HELENA PEREIRA, LUDOVICUS, MAGNUS REGIUS FERREIRA DE ANDRADE, MANOEL MARQUES DA SILVA FILHO, MANOEL PITA, MARCOS CAVALCANTI, MARCOS GUERRA, MARCUS CESAR, MARIA ARISNETE, MARIA AUZERINA DE FREITAS, MARIA DA SALETE PIMENTA, MARIA RIZOLETE FERNANDES, MARIA VENERANDA DE ARAUJO, MARIA VILMACI VIANA DOS SANTOS, MARIZE CASTRO, MAURICIO GARCIA, MDOPERPÉTUO CASTRO, MERY MEDEIROS DA SILVA, MIGUEL JOSINO NETO, MIRANDA SA, MOISES CAMARA, NAIDE GOUVEIA, NAPOLEÃO DE PAIVA SOUSA, NELSON PATRIOTA, ODETE FERREIRA ALVES, ORMUZ SIMONETTI, PABLO CAPISTRANO, PAULO DE MACEDOCALDASNETO, PAULO JORGE DUMARESQ, PAULO PEREIRA DOS SANTOS, PEDRO LINS, PEDRO LINS NETO, PUBLIO OTAVIO JOSE DE SOUSA, RICARDO GOSSON, RINALDO BARROS, ROBERTO COCENTINO, ROBERTO DA SILVA, ROBERTO LIMA DE SOUZA, ROSA RAMOS REGIS DA SILVA, ROSIVALDO TOSCANO, RUBENS AZEVEDO, SEBASTIAO LEITE, SEEC GABINETE, SELMA CALASANS RODRIGUES, SEVERINO VICENTE, SILVINO DOS SANTOS, SILVIOCALDAS, SONIA OTHON, SUELY MENESES, SYLVIA DANTAS, TÁCITO COSTA, TARCISIO GURGEL, TETE BEZERRA, THIAGO GONZAGA, Tomislav Femenick, TOMISLAV RODRIGUES FEMENICK, TV-ASSEMBLEIA, UIRANDYALENCAR, VALDENIDES DIAS, VALERIO MESQUITA, VILMA DA SILVA, VIRGÍLIO FERNANDES, WALTER CID, WODEN MADRUGA, ZE MARTINS CARTA AOS MEUS AMIGOS Meus Amigos: “Sou um homem de combate e paixão: não recuo com facilidade.”(Eduardo Gosson) Tenho enfrentado desde o meu rebaixamento funcional e salarial no Tribunal de Justiça, na administração passada, o inferno econômico que é igual ou pior ao Inferno bíblico. Ao final de cada mês sou obrigado a sortear a quem vou pagar; o resto, ah! Que espere... Lênin já dizia que “A prática é o critério da verdade”. Não adianta dizer e não fazer. E o mundo está cheio de Manelões, conforme bem disse o poeta José Bezerra Gomes. À propósito, cada vez mais o real sem nenhuma ilusão. Dizia um tio-avô que veio do Líbano para o Brasil: “meu sobrinho, essa vida sem ilusão é uma merda”. Sexta-feira passada, dia 30 de janeiro de 2015 mais uma decepção: mediante requerimento da minha situação, endereçado à Diretora Geral do INSTITUTO MARIA AUXILIADORA – IRMÃ MARIA ELIZABET VIEIRA DA COSTA, solicitei uma bolsa de estudo para a minha neta Rebeca que lá estuda há quatro anos + o parcelamento do débito relativo a quatro meses do ano passado, desviados para comprar os remédios para o Mal de Parkinson uma vez que no governo da doutora Rosalba Ciarline faltava constantemente. Ela médica, a saúde um caos. A resposta foi NÃO e não aceitaram a minha proposta de parcelamento em 10 vezes da dívida que hoje gira em torno de R$ 3.000,00. Nesta segunda-feira irei buscar a documentação escolar para procurar outro colégio, agora preferencialmente laico; de hipócritas religiosos estou cheio. Travestidos de cristãos, na verdade amam o dinheiro. Só acredito em Cristianismo de solidariedade. Se não amar o seu próximo não há SALVAÇÃO. A minha igreja com certeza não é essa que está em Roma. A minha igreja é a de Jesus Cristo, que na pratica teve um Dom Helder Câmara, um Dom Pedro Casaldaliga que deixou a sua Espanha e veio para o Araguia, na região Norte do País, organizar índios e posseiros contra um Capitalismo desumano e sem rosto. Após a sua aposentadoria, manifestou o desejo de continuar morando a terra que ele escolheu para viver, amar e servir. A nossa Madre Igreja tentou retirá-lo de lá. Recuaram diante da sua força moral, pois Dom Pedro é hoje um velhinho frágil e doente de Mal de Parkinson; porém homem de muita coragem pois reveste-se da Armadura de Deus e está impregnado do Espírito Santo além de ser um grande poeta. Com a Paz do Senhor, despeço-me aguardando dias mais amenos onde viver seja uma aventura. Só resta os santos, os poetas e Jesus Cristo. Todos eles podem ver na escuridão. 
 Um grande abraço Eduardo 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

NÃO TENHO MEDO DA MORTE! - CARLOS COSTA FILHO


http://carloscostajornalismo.blogspot.com.br/2015/01/nao-tenho-medo-da-morte-para-carlos.html 


 Como as árvores que perdem as folhas para que outras possam nascer e ocupar o lugar daquelas que se foram ao chão e faleceram porque tinham certeza que outra folha ocuparia seu lugar, assim também estou seguindo para deixar minha última folha cair, sem qualquer medo da morte porque essa é a ordem natural da vida: uma coisa precisa morrer para outra nascer e ocupar seu lugar. Já plantei minha semente. Espero, desejo e tenho fé que produzirá bons frutos. Mas ainda é só um adolescente de 17 anos. Fomos juntos, a decisão do jogo Flamengo X São Paulo, no último dia 25/01/2015, na Arena da Amazônia, levado pela primeira vez pelas mãos do meu filho. Na portaria, fui impedido de entrar com meu depósito de água para tomar remédios. Carlos Filho, mais alto que eu, tirou meu chapéu, chamou a atenção para a falta de meus dois lados do crânio e me defendeu. Entrei com a minha água! Lembrei do poema de Gibran Khalil, falando sobre filhos, que disse: “teus filhos não são teus filhos/são filhos e filhas da vida, anelando por si própria/Vem através de ti mas não são de ti/E embora estejam contigo, a ti não pertencem/Podes dar-lhes amor(...)Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas (...)Tu és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, são disparados.../Que tua inclinação na mão do arqueiro seja para alegria”. Se não fiz tudo o que diz esse poema, pelo menos estou tentando fazer o que posso, cumprindo meu papel de arqueiro e desejando que meu arco se incline na minha mão de forma correta. Não transfiro minhas ideias ao meu filho, lhe dou liberdade e percebi que já as usa com seu próprio pensamento e toma a decisão que o momento lhe exige. Tive a certeza que poderei partir feliz porque meu filho me dará orgulho no futuro, mesmo que não seja ou esteja presente em sua vida, horando meu nome e de seu avô materno, advogado e político Francisco Guedes de Queiroz, que faleceu pobre mesmo depois de 26 anos seguidos de mandatos parlamentares, como eu também não obtive riquezas materiais; somente intelectuais. Como o arco meio quebrado, lentamente subi as escadas da Arena da Amazônia, segurando o corrimão da escada e vislumbrei sua beleza pela primeira vez. Estava me sentindo como se meu filho fosse meu pai, cuidando de mim com todo o carinho, me abanando no calor e perguntando a todo momento se eu me sentia bem. Caminho rumo à morte, com Deus no coração. Não temo a morte porque serei feliz, mas temo os vivos que matam em nome de um Deus que é de todos, de um Estado que acham que o certo, promovem barbaridades em nome crenças que entendem ser a mais correta. Enfim, temo mais aos vivos do que aos mortos, porque os mortos não fazem mal a ninguém e vivem felizes. Me penitencio em nome da religião católica. A religião católica, em períodos de sua história impôs também métodos de terror: as Cruzadas, a Inquisição e, mais tarde, Os Cavaleiros Templários, perseguindo e convertendo gentios pela cruz e pela espada. Tomo banho ouvindo pela janela do banheiro, o grito dos periquitos em uma árvore. Os ouço bem, mas não entendo o que dizem porque ainda não aprendi a entender a linguagem dos animais, como fazia São Francisco de Assis, que conversava com pássaros e outros animais e se fazia entender e entendia no que lhe diziam. Queria eu, ao menos, entender o que querem os homens de preto que degolam pessoas, protestam e matam, impondo o terror, já que não consigo ser e nunca serei como São Francisco de Assis! Nem isso consigo entender, embora tente encontrar uma lógica se é que existe alguma lógica em quem impõe o terror pela força! A vida, hoje, é uma mera banalidade e uma moeda de troca nas mãos dos fanáticos, sem Deus em seus corações. Pessoas morrem e matam por nada, são individualistas, não pensam no todo, esquecem que ninguém consegue viver isolado em seu próprio mundo e precisa ser gregário, viver em espaços comunitários e respeitar o direito dos outros para ter seus direitos respeitados. Assim é a vida, mas assim não será a morte para quem tem fé e pratica a palavra de Deus! Sou católico, mas não recuso ouvir a palavra de Deus e conhecer os ensinamentos doutrinários da Bíblia! Também convivo bem e aceito todas as religiões; não o radicalismo em nome de qualquer que seja a crença religiosa. Nascer é uma batalha porque para se ganhar a vida, a pessoa, mesmo em forma de esperma, tem que derrotar várias outras vidas para atingir o óvulo, ser fecundado, passar nove meses espremido em uma placenta para, por fim, ganhar a vida. Viver também não é fácil, mas ser feliz o é porque a felicidade sempre esteve ao nosso lado, mas não sabemos como procurá-la porque queremos sempre mais e mais, somos egoístas, queremos tudo só para nós, impondo sem muita criticidade e análise o que achamos ser o certo. Pode até ser certo para nós, mas pode não ser para todos e a vida é coletiva e não individual.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

COMBATE ÀS TREVAS – 36 - POR EDUARDO GOSSON (*_)



EDUARDO GOSSON

 É lamentável vermos o ex-presidente Lula e a presidente Dilma implorando ao Governo da Indonésia para que Marco Acher não fosse fuzilado. Ora, as leis naquele longínquo país são duras e, não tem, a elasticidade das nossas. Toda ação corresponde uma reação, isso a dialética nos ensina. Quando o senhor Marco começou a traficar não pensou nestes aspectos. E o mesmo sabia que o tráfico é crime hediondo e, que, lá não tem o jeitinho brasileiro (leia-se sacanagem brasileira). Lá o jogo é pesado e o negativo é esmagado. Lá não tem “intelectual progressista” para fazer proselitismo midiático em nome dos Direitos Humanos. Faço essas advertências porque me sinto- na obrigação de alertar as pessoas, sobretudo os jovens: em 26.05.2012, portanto há dois anos e cinco meses, perdi um filho com 28 anos de idade – FAUSTO GOSSON para as drogas e que está fazendo uma falta que ninguém poderá suprir. O Brasil precisa urgentemente fazer uma revisão em nossas leis penais. O argumento de que a pena de morte hoje é para pobres é uma falácia. Traficante, estuprador e pedófilo não faz falta a humanidade. Destroem os nossos filhos e filhas e vão embora. Essas ONGs, que defendem os canalhas, deveriam criar um serviço de consolação para os familiares e não conversando besteira. Na Era da INTERNET não existe mais pessoas inocentes. Os tabletes, os netbooks, os notebooks, os AIFONES, os AIPODES, entre outros, rasgaram o Véu da Inocência nos deixando nus.

 (*) é poeta. Presidiu a UBE-RN de 2008-2013

CAUDER ARCANJO CONVIDA PARA OS AUTÓGRAFOS DO SEU LIVRO - UMA GARÇA NO ASFALTO.

CLAUDER ARCANJO

Caros amigos e amigas: Estarei nesta quinta-feira, dia 29 de janeiro de 2015, a partir das 19h, autografando o meu livro de crônicas UMA GARÇA NO ASFALTO (LetraSelvagem), em Natal-RN. O evento dar-se-á na Livraria Nobel, na Avenida Salgado Filho. Espero contar com a presença de vocês. Deste escrevinhador provinciano, 

Clauder Arcanjo



SERVIÇO: DIA 29-01-2015
HORA: A PARTIR DAS 19 HS
LOCAL: LIVRARIA NOBEL DA AV. SALGADO FILHO


APOIO: UBE/RN

domingo, 25 de janeiro de 2015

CARTAS DE COTOVELO 11 (versão 2015) - POR CARLOS TOBERTO DE MIRANDA GOMES.



CARTAS DE COTOVELO 10 (versão 2015) - POR CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES.



Os meus leitores devem ter notado a mudança da minha maneira de ser nos instantes do veraneio, sempre de braços com as coisas boas do cotidiano, refletindo nas minhas Cartas de Cotovelo, que tiveram uma linguagem um tanto amargurada. Peço desculpas. Fiz muito esforço para superar as adversidades neste novo ano e somente no quase seu findar deste janeiro consegui vencer um pessimismo agudo que tolhia a minha alegria de viver, embora com a carga de problemas de saúde que me acompanha já a uns 10 anos. Usando a experiência que a vida me ofereceu nestes quase 76 anos, também me foi dada a possibilidade de melhor avaliar quais as causas mais evidentes capazes de retirar as imunidades existenciais, neste universo pouco solidário e pude constatar, que maior que as dificuldades materiais ou as dores de eventuais perdas de parentes e amigos, aflora como procedimento mais prejudicial à espécie humana a prática da injustiça. Venho de família que sempre cultuou a solidariedade e a compreensão e, a eventualidade de uma injustiça nos atinge de tal forma, que custa caro segurar o desejo de vingança, por conflitar com a essência dos ensinamentos cristãos. Considero que venci, graças a Deus, esse sentimento menor de revide, que de nenhuma maneira engrandece a criatura humana e agora o meu sentir é de apenas um lamento, tal a certeza de que os despóticos terão no correr da vida o retorno daquilo que plantaram sem a grandeza do respeito à dignidade alheia. A música, que é resultado da sabedoria popular, de vez em quando retrata tais situações com alertas: “Eu assisti de camarote o teu fracasso” (Chico Alves “Viola”), ou “Quem vive sempre em grande altura leva sempre a maior queda.” (Noel Rosas). Por tudo isso, tenho a certeza de que as coisas vão mudar, o amanhã será mais promissor, tanto que já tenho novos projetos e readquiri a capacidade de trabalho represada, exceto nas deficiências físicas que a idade impõe e das quais sou consciente. Do tempo que me resta, dado por acréscimo à idade bíblica, terei forças suficientes para sentir a presença do Criador em minhas ações, sem ódio e sem medo e sempre no olhar para o que posso fazer de bom pelo meu semelhante. A cada um, segundo o seu merecimento!

DESPEDIDA - POR DIULINDA GARCIA.

ANNA MARIA CASCUDO BARRETO



 No dia 21 de janeiro do ano em curso, no Lúdovicus-Instituto Luis da Câmara Cascudo- celebrava-se a missa de sétimo dia de Anna Maria Cascudo Barreto. Achavam-se ali, familiares, amigos, confrades e admiradores que, contritos vieram prestar a última demonstração de apreço, dar o seu último testemunho de amizade, repeito e admiração.Não havia pranto, mas a contrição própria das despedidas, sobretudo quando não há perspectivas de volta, troca de mensagens ou telefonemas... Fechara-se um ciclo e começava uma nova jornada, não só para os que teriam de prosseguir, agora sem a presença física da mãe, avó, sogra, amiga e confreira, mas para ela própria, que seguiria a trajetória inevitável dos que são chamados a abandonar a matéria, rumo à eternidade da essência. Concluíra aqui, o que lhe fora confiado, chamada então,"retorna ao pai", como dissera o celebrante em sua eloquência litúrgica. Homenagens, lembranças e recordações, foram pinceladas com vários matizes para compor o retrato de uma mulher determinada, que deixou nas pegadas de sua caminhada terrena, o exemplo de dedicação à família, aos amigos e sobretudo à preservação e divulgação do legado deixado pelo mais ilustre representante da cultura do Rio Grande do Norte, Luis da Câmara Cascudo. Percebia-se naquele fim de tarde iluminado pela luz crepuscular, uma serenidade explícita em cada semblante, como se ali se materializasse a tão sonhada "paz budista, a simplicidade, a aceitação e o lirismo", como escrevera a própria Anna Maria, no artigo intitulado "A IMPORTÂNCIA DO ESSENCIAL"-ANL-Revista N.39/2014. Tudo parecia seguir a trilha dos próprios sonhos de uma mulher, cuja pluralidade a muitos encantou.Viveu como quis em sua multiplicidade, tornando-se em poucos anos uma intelectual ilustre da contemporaneidade potiguar, deixando uma produção literária respeitável, além de admiradores querendo reconhecer o seu saber e quem sabe sabê-lo. Anna Maria aprendera com seu pai e mestre, Luis da Câmara Cascudo, arte de"unir retalhos de uma obra de ricas páginas repletas de ensinamentos". 


Diulinda Garcia* 
*Membro da UBE/RN E DO IHG/RN

sábado, 24 de janeiro de 2015

OS “CABOCLOS DE CARÚBAS” - POR TOMISLAV R. FEMINICK;



TOMISLAV  R. FEMINICK
 O agrupamento de pessoas conhecido como “caboclos de Caraúbas” é formado por descendentes de Francisco de Souza Falcão, tenente-general português que chegou a Caraúbas por volta de 1745, trazendo uma carta de sesmarias (título de propriedade que os reis de Portugal davam aos novos povoadores) que lhe dava direitos sobre as terras da região. Vindo da cidade do Cabo, em Pernambuco, com familiares e alguns agregados ele se instalou às margens do Riacho das Carnaubeiras, um afluente do rio Apodi, onde formou uma fazenda de gado, origem da cidade de Caraúbas. A família Souza Falcão exerceu a liderança política e econômica do lugar, até quando as perdeu para os Fernandes Pimenta. Desde então os seus descendentes passaram a viver nas localidades Pedras, Retiro, Baixa Grande, Defuntos, Cachoeira e, principalmente, Mirandas, vivendo com um mínimo contato com outras pessoas que não os do seu grupo. Hoje esse isolamento está quebrado e os “caboclos” se miscigenaram com os outros moradores da região, subsistindo apenas na tradição de alguns pequenos grupos. Como resultado desse isolamento (enquanto houve) e dos casamentos endogâmicos (entre familiares), alguns deles apresentavam atrofia nas juntas ósseas, membros superiores bem maiores do que o normal, bem como alterações nas articulações das palavras e pouco desenvolvimento cognitivo. Na segunda metade do século passado foram registrados alguns casos mais graves de anomalias físicas, inclusive um de hermafroditismo. POR HERANÇA OU POR TOPONÍMIA? Subsiste um aspecto a ser resolvido. Talvez baseadas no fato de que a palavra “caboclo” designa um individuo nascido da união de índios e brancos, algumas pessoas dizem que os “caboclos de Caraúbas” são descendentes de índios, chegando a identificar na sua linhagem Felipe Camarão, o índio herói nacional da resistência à invasão holandesa. Todavia, os próprios “caboclos de Caraúbas” não se identificam como tal e atribuem essa designação ao fato de seus ancestrais serem provenientes da Cidade do Cabo. Para complicar mais ainda essa problemática, no Município de Caraúbas e nos que ficam em seu entorno há uma grande população autenticamente resultado da miscigenação de índios com brancos, notadamente nos sítio Cachoeira e Apanha-Peixe. PESQUISA ESTÁ ESPERANDO PUBLICAÇÃO As primeiras pesquisas científicas sobre os “caboclos de Caraúbas” foram desenvolvidas em 1967, pelos departamentos de antropologia cultural, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Mossoró, e de sociologia, da Faculdade de Serviço Social de Mossoró, então faculdades isoladas, antes da formação da Universidade Regional do Rio Grande do Norte, a atual Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Na época desses estudos existiam cerca mil pessoas nos agrupamentos dos “caboclos”, que viviam em uma pequena faixa de terra com aproximadamente 100 quilômetros quadrados. Semianalfabetos, não recebiam nem visitas dos políticos nas épocas de campanhas (aos analfabetos não era dado o direito de voto); muito menos recebiam qualquer assistência dos governos. A pesquisa pioneira das faculdades mossoroenses não chegou a ser publicada na época de sua realização. Consta que foi “requisitada” pelas autoridades militares; vivia-se o tempo da ditadura militar. De lá para cá, diversos estudos já foram publicados sobre os “caboclos de Caraúbas”, entre eles os de autoria de Maria Consuelo Oliveira (1994), Raimundo Soares Brito (1999), José Nunes Cabral de Carvalho (1983), Susana Rolim Soares Silva, (2002), Marcos Roberto Fernandes Gurgel (2003), Marcos Roberto Fernandes Gurgel (2003), Roberta Borges de Medeiros Falcão (2005), entre outros. Em 1964, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais chegou a manter uma escola que funcionava de sete da manhã até a noite. Ali eram ministradas aulas para cerca de cinquenta alunos. Na época em que os estudantes e professores coletaram dados sobre a povoação, havia apenas uma pequena escola municipal, com menos de dez crianças matriculadas, pois não existem condições para acomodar um número maior de alunos. Muitas pessoas do grupo jamais tinham visto um médico e, segundo declararam, até então nunca tinham recebido visita de nenhum profissional de saúde pública. Eram comuns casos de mortes causadas por uma simples dor. O mais velho dos caboclos possível de localizar tinha aproximadamente 80 anos, o que era um caso raro entre eles, pois a idade de sobrevivência média foi calculada em torno de trinta anos. De uma maneira geral não havia crime e eles não eram dados a bebidas alcoólicas. O maior número de morte de adultos era por suicídio, geralmente por enforcamento. A atividade econômica era voltada para produção agropastoril, principalmente para o cultivo do milho, feijão e mandioca e criação de caprinos e ovinos. O trabalho era feito com ajuda mútua, no sistema de mutirão. Produziam farinha de mandioca, para o que dispunham de três bolandeiras. Todo o excedente de produção era vendido na feira de Caraúbas, aos sábados, ou em Mossoró; nesse caso via terceiros. CONQUISTAS FUNDIÁRIAS E MELHORIAS Pequenas, feitas de taipa e barro batido, sem espaços para entrada de luz e ventilação, baixas e sem higiene, assim eram as casas em que vivem os caboclos. No entanto, em uma delas foi encontrado um rádio de pilha, como sinal de contato com o progresso. Nessa casa, todas as noites eles se reuniam para ouvir musica e, surpreendentemente, as notícias sobre política. Muito embora já tivessem sido os donos absolutos de toda a sesmaria de Caraúbas, nos anos 1960 eles não eram os proprietários das terras em que viviam. Eram poucos os que possuem títulos de domínio. No governo de Aluízio Alves, as terras dos caboclos foram desapropriadas com o objetivo de doa-las legalmente aos seus moradores, legalizando a situação de posse e domínio. Até 1967, trinta e cinco títulos já tinham sido entregues e mais e cento e cinquenta aguardavam o andamento da burocracia do Estado. Quando do estudo realizado em 1967, o maior problema do núcleo era a falta de água, conseguida apenas em um açude ou em pequenas cacimbas. Às vezes era necessário que se andasse mais de quatro quilômetros, para se conseguir “algumas latas ou barris d’água”. Foram relatados casos de crianças que teriam morrido por falta de água. O esforço para levar água a esse povo se iniciou em 1968. Foi um misto de festa e pavor. Uns corriam para perto e outros se escondiam longe. No entanto todos estavam curiosos e admirados com aquele monstro que se erguia para o ar. Para eles, era algo inexplicável. Essa cena aconteceu em um entardecer de meados de junho daquele ano, na terra dos “caboclos de Caraúbas”, quando ali chegaram dois caminhões, trazendo uma sonda que irá perfurar o chão para resolver um dos seus principais problemas: a falta de água. A perfuratriz tinha sido prometida cinco dias antes por Dix-huit Rosado, então presidente do INDA-Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário, mas ninguém acreditava que ela fosse realmente para valer, pois, “nem era época de eleição”. MÚSICA E DANÇA ATRAÍRAM A ATENÇÃO DE JORGE AMADO O escritor Jorge Amado e a pesquisadora Eneida (Eneida de Villas Boas Costa de Moraes, ou simplesmente Eneida, como assinava seus livros), quando visitaram Mossoró em 1959, foram até Caraúbas conhecer e estudar os caboclos, principalmente o “samba dos caboclos”. Essa música e essa dança teriam se originadas no início do século XX, e serviram para comemorar a colheita, no mês de junho. Jorge e Eneida anotaram que o ritmo e a dança nada tinham com o samba propriamente dito, pois as mulheres arrastam os pés e os homens fazem acrobacias, numa coreografia que faz lembrar as danças ibéricas. Na ocasião do estudo acadêmico, quase que já não mais havia a prática dessa tradição folclórica. Somente três homens e algumas mulheres sabiam dançar o “samba dos caboclos” e apenas um só homem sabe executar a música (em uma sanfona). Hoje há um movimento que tenta recuperar essa manifestação da cultura popular. Em estudo mais recente, a antropóloga Susana Rolim Soares Silva, afirma que: “Na atualidade, pode-se perceber que tal expressão cultural consiste numa mistura de samba com danças juninas e é constituída basicamente por três passos: o Martelo, momento no qual os protagonistas, colocados lado a lado, pisam fortemente no chão; Cigana, quando os pares começam a rodopiar pelo salão, equilibrando-se um parceiro no outro na tentativa de se manterem de pé, e o Maracatu. Os instrumentos musicais que dão o tom da dança são: o triângulo, a sanfona e o pandeiro, entre outros”. A religiosidade dos habitantes do núcleo dos caboclos é um misticismo voltado para uma antiga imagem de São Sebastião, existente na igreja matriz da cidade. Esse “santo” teria sido trazido para Caraúbas em 1750 (ou no final do século), quando foi iniciada a construção da capela que posteriormente foi transformada na igreja que hoje é a matriz da paróquia. Há alguns anos, os habitantes da cidade resolveram comprar uma imagem nova e levar o São Sebastião “velho” para outra capela. Os caboclos não deixaram, inclusive fazendo ameaças. No dia 20 de janeiro de cada ano, elas vão à cidade para acompanhar a procissão do santo “velho”. A imagem nova, mais bonita, nem é olhada. O “santo” é o velho, para esses descendentes dos fundadores de Caraúbas, uma das maiores cidades da zona oeste do Rio Grande do Norte. Na festa de São Sebastião, “a cultura cabocla ganha maior visibilidade, legitimação e diferenciação em relação a outros grupos, sobretudo os caraubenses, embora estejam unidos pela religião, pela fé e pela tradição na família vinda de Portugal” – anda segundo Susana Silva. 

Tribuna do Norte. Natal, 25 jan. 2015

Tomislav R. Femenick – Da diretoria do IHGRN.
 Mestre em economia, com extensão em sociologia e história. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

DISCURSO DE ODÚLIO BOTELHO, NA CÂMARA MUNICIPAL DE NATAL, EM HOMENAGEM AO AMÉRICA FUTEBOL CLUBE, EM 16-01- 2015.



ODÚLIO BOTELHO

Em Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2015 13:02,
 Odúlio Botelho Medeiros escreveu: 
Confira na íntegra o discurso proferido pelo conselheiro e vice presidente do América, Odúlio Botelho Medeiros, na solenidade comemorativa aos 94 anos do América Futebol Clube, realizada na Câmara Municipal de Natal por proposição do Vereador Hermano Morais, no dia 17 de julho de 2009. Exmo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Natal.

 Quis a benevolência, a amizade e o gesto hermano do Presidente do América, o Des. Federal Dr. José Vasconcelos da Rocha, este eminente homem público e guardião-mor das coisas do nosso Clube, que eu, com todos os créditos que alcançam uma sólida amizade alongada pelo tempo, ousasse de vir a presença desta Casa Legislativa, também distinguida como a Casa do Povo de Natal, para, em nome da gloriosa Instituição do Esporte Potiguar , dirigir aos senhores vereadores uma palavra de agradecimento precisamente nesta memorável Sessão Solene em homenagem aos 94 anos de Fundação do América Futebol Clube, proposta pelo dinâmico vereador HERMANO MORAIS, Conselheiro do América e benfeitor das cores alvirubras. Desnecessário dizer que aceitei a honrosa deferência do Presidente com simplicidade, sim, mas com justo orgulho, tal a magnitude deste festivo evento. Ditas essas palavras preambulares, necessário se torna que se voltem as nossas atenções para uma síntese da trajetória da Instituição ao longo do tempo e do espaço. Enumera o Estatuto do Clube no seu artigo 1 que: “O América Futebol Clube, neste Estatuto chamado AMÉRICA é uma sociedade civil, de duração indeterminada, fundada em 14 de julho de 1915, nesta cidade do Natal, capital do Rio Grande do Note, onde tem sede e foro, com personalidade distinta dos seus associados, os quais não respondem pelas obrigações por ela contraídas”. E o seu parágrafo único disciplina, “O AMÉRICA tem por finalidades: I. desenvolver a educação física e a prática dos desportes em todas as suas modalidades; II. promover reuniões, festas e conclaves de caráter social, recreativo, cultural e cívico; III. sempre que possível, estimular movimentos de caráter educativo(...)” E justamente em atenção a esse estímulo de caráter educativo é que a atual gestão fez criar o seu Departamento Cultural, tendo abrigado em seus salões de festas os lançamentos dos seguintes livros: “CLAMBOM- Um Clube em Defesa da Boa Música”, idealizado pelo decano do jornalismo do Estado Raimundo Ubirajara de Macedo; “TRAÇOS E PERFIS DA OAB/RN - Criação e História, Vitórias e Derrotas”, de autoria do Advogado e Professor Carlos Roberto de Miranda Gomes; “CONSELHO DE PAI” – excelente livro de poesia e de lição de vida do Magistrado do Trabalho, Joaquim Sílvio Caldas, e , mais recentemente, em grande acontecimento sócio-cultural, foi lançado o livro do Prof. e Advogado Eyder Furtado, denominado no “FORUM DA MEMÓRIA”. O América abriga no seu quadro social número ilimitado de sócios, sem distinção de naturalidade, cor, sexo, credo político ou religioso, nos termos do art. 2 do Estatuto. Mas, Senhores Vereadores, minhas senhoras e meus senhores, necessário se torna que se narre um pouco da história do Clube desde o seu nascedouro: foi fundado, como já é do conhecimento de todos os presentes no dia 14 de julho de 1915, na residência do Juiz de Direito Joaquim Homem de Siqueira, localizada na rua Vigário Bartolomeu, na cidade-alta, em Natal. Seu primeiro presidente foi o amazonense FRANCISCO LOPES DE FREITAS. Fato curioso que merece comentário é que as cores iniciais do time de futebol eram azul e o branco e não o vermelho e o branco, cores atuais de suas vestes. Colhe-se das informações transmitidas pelo SITE oficial do América, que a oficialização jurídica precede de um fato curioso: segundo difundida versão, o então Coronel Júlio Canavarro de Negreiros Melo, no dia 3 de junho de 1918, furou a única bola do time, que se prestava para o treino e os jogos da equipe. Em face disso, foi necessária a regularização da entidade, obrigada a registrar no dia 3 de julho, no Primeiro Ofício de Natal, o documento de criação do América, firmado pelo então Presidente Osvaldo da Costa Pereira. Sabe-se que os primeiros atletas do América moravam no bairro da cidade-alta e que o benemérito da época, Aguinaldo Tinôco, também um dos seus fundadores, é quem matinha as despesas decorrentes do futebol, acumulando esse ônus-financeiro com o prazer de ser um bom zagueiro do time e o seu capitão. Como se pode observar, era o “dono do time”. É impossível falar das coisas do América, nesta oportunidade, sem elencar os nomes dos seus fundadores, por uma questão de preito de gratidão. Há duas versões sobre o número exato dos fundadores: uma corrente inclina-se por 25 fundadores. Outra, alarga esse número para 34. Sendo assim, vamos enumerá-los mais amplamente, sendo esses os fundadores: Abel Viana; Agnaldo Câmara; Agnaldo Fernandes de Oliveira; Agnaldo Tinoco; Aníbal Ataliba; Antônio Braga Filho; Antônio da Rocha Silva (Bidó); Antônio Trigueiro; Armando da Cunha Pinheiro; Augusto Servita Pereira de Brito; Arary da Silva Brito; Clodoaldo Bakker; Caetano Soares Ferreira; Carlos d eLaet; Carlos Fernandes Barros; Carlos Homem de Siqueira; Clóvis Fernandes Barros; Clínio Benfica; Francisco Reis Lisboa; Francisco Lopes Teixeira (1 Presidente); Francisco Pereira de Paula; Getúlio Soares Ferreira; José Artur dos Reis Lisboa; José Lopes Teixeira; João Batista Foster Gomes Silva; José Aragão; José Fernandes de Oliveira (Lélio); Lauro Lustosa; Luciano Garcia; Manoel Coelho de Souza Filho; Mário Monterio; Napoleão Soares Ferreira; Oscar Homem de Siqueira e Sidrack Caldas. Consta dos feitos esportivos que o América em títulos nacionais foi Vice-Campeão Brasileiro da Série B, em 1996 e Vice-campeão Brasileiro da Série C em 2005. Nos títulos interestaduais destacam-se: A Taça Norte-Nordeste em 1993 e a Copa Nordeste em 1998. Foi 32 vezes Campeão Estadual; Campeão do Torneio Inicio, várias vezes, torneio que perdurou durante muitos anos. Além desses títulos, obteve as seguintes conquistas ao longo do tempo: Taça Cidade do Natal – 11 vezes; Torneio Imprensa 2 vezes; Torneio RN/PE- (1983); Torneio Coronel Murad; Torneio Quadrangular do Maranhão; Torneio Fantasmas do Norte (1950); Torneio Municipal do Natal; Torneio Quadrangular do Natal; Torneio Qualificatório para a Série C, em 1990 e Torneio Qualificatório para Série B em 1994. Diga-se, por oportuno que o amargo decesso de 2004 para a Série C culminou numa ascensão meteórica, jamais vista no futebol brasileiro, uma vez que o clube, após conseguir o acesso para a Série B no ano de 2005, fez grande campanha em 2006, obtendo o 4 lugar na competição nacional, performance que garantiu o BRASILEIRÃO de 2007. Todas essas conquistas do América tiveram, a seu tempo, as válvulas propulsoras de inúmeros heróis. Fala-se carinhosamente que a exemplo da organização da Igreja, o América também teve os seus cardiais, pessoas abnegadas, progressistas, avançadas para o seu tempo, mas praticantes de uma linha dura quando se tratava de brigar pelos interesses do Clube. Ainda hoje ecoam nas dimensões das hostes americanas a atuação desses cardeais, representadas pelas figuras de Humberto Pignataro (recém-falecido), Humberto Nesi, Rui Barreto e Heriberto Bezerra. Esse quarteto retrata o que há de melhor na paisagem moral e social da cidade. O primeiro – Humberto Pignataro, homem empreendedor da melhor estirpe, legou aos pósteros um livro denominado “MEMÓRIA DE UM EX-PRESIDENTE”, Ed.Sebo Vermelho, Ed. 2006, onde descreve com riqueza de detalhes e inegável detalhamento histórico, não somente os relevantes acontecimentos de sua gestão porém, a bem daverdade, a saga de todos aqueles que contribuiram para o engrandecimento do sodalício, revelando as dores e as alegrias dos que têm ou tiveram a nobre missão de construir o América ao longo desses 94 anos de glórias. Sobre Humberto Pignataro asseverou o jornalista Paulo Macedo, no prefácio do livro já referido: “De mim, credito a Humberto a condução de ser o construtor de coisas boas que implantou e implementou em nossa urbe, como por exemplo, a moderna sede do América Futebol Clube, quando presidente; a aquisição de terrenos, numa belíssima visão futurista, parte desses terrenos, mais tarde vendida, serviu para pagar dívidas inadiáveis do Clube, bem assim a edificação de um campo privativo para treinamento e concentração aos jogadores. Há no livro, depoimentos de autoridades esportivas sobre o quanto esse natalense inteligente ajudou a construir e reconstruir, por vezes, o poderoso América de hoje(...)” Minhas senhoras, meus senhores, representantes do povo de Natal, se fossemos enumerar todos os construtores do América, entrariamos na tarde desta belíssima sexta-feira, dia 17 de julho de 2009, tal a numerosa galeria de abnegados de ontem e de hoje, que, muitas vezes com prejuízos de ordem pessoal, sacrificaram e sacrificam o patrimônio familiar em nome da elevação e da soberania do Clube que adotaram para amar, sofrer e exaltar. E é justamente com esse raciocínio que invocamos a galeria dos ex-presidentes que, em suas gestões, construiram os vigas-mestras do América dos nossos dias: Getúlio Soares (1 presidente/ 1915-1928); José Gomes da Costa (2 presidente); Edgar Homem de Siqueira (3 presidente); Osório B. Dantas(4 presidente); Joao Tinoco Filho (5 presidente); Afonso Ligório Pinheiro Joffili; Clóvis Fernandes Barros; Rui Moreira Paiva; Humberto Nesi; Rui Barreto de Paiva; José Rodrigues de Oliveira; Miguel Carrilho de Oliveira; Jeremias Pinheiro Filho; Murilo Tinoco de Carvalho; Heriberto Ferreira Bezerra; Humberto Pignataro; Hugo Manso; Dilermando Machado; José Vasconcelos da Rocha (1 mandato); Henrique Arnaldo Gaspar; Carlos Jússier Trindade; Fernando Nesi; Cláudio Negreiros Bezerra; Marcos Antônio B. Cavalcanti; José Maria de Figueiredo; Eduardo Serrano da Rocha; Jerônimo Câmara Ferreira de Melo; Francisco Soares de Melo; Gustavo de Carvalho e José Vasconcelos da Rocha (2 mandato, em andamento). No entender de Ortega y Gasset “os individuos, à semelhança das gerações têm destino preestabelecido do qual se não podem afastar, sob pena de censura da sociedade.” E esses bravos empreendedores do América Futebol Clube, pelo seu dinamismo, pelo amor a terra e ao seu Clube e, que somente admiração e louvores receberam e vêm recebendo do povo potiguar, especialmente da grande massa de apaixonados americanos, cuja torcida se agiganta a cada dia, a cada momento e a cada vitória. É bom ressaltar a fidelidade dessa magnífica torcida que não se abate, nem nos momentos mais difíceis. As pugnas esportivas se agigantam quando o América entra em campo. Os seus atletas, profissionais ou amadores infantis ou juvenis trazem dentro de si a chama rubra de amor ao clube às suas tradições. Há quem diga jogosamente que o homem pode mudar de tudo no transcorrer de sua existência, menos deixar de amar e torcer sofregamente pelo seu time de futebol. E com o América essa paixão se evidencia ao perpassar do tempo: “hoje América, sempre América”, brada a sua fanatizada torcida! O Dr. Fernando Nesi, americano de carteirinha desde a mais tenra idade(filho do velho e inquebrantável Humberto Nesi) em belíssimo artigo publicado no Jornal Tribuna do Norte, edição do dia 14, sob o título “História do América Futebol Clube” exulta de emoção, ao dizer que: “Escrevo para a posteridade. Viso, sobretudo a nova geração de americanos. A história do meu clube de coração será revelada aos poucos. Assumo publicamente esta heróica missão. Desejo sobretudo que os exemplos de amor, devoção e sacrifícios de dirigentes como meu saudoso pai Humberto Nesi e de outros grandes americanos sejam conhecidos, reverenciados, aclamados e respeitados por todas aquelas pessoas que militam ou não dentro do nosso desporto. Assim desejo com as graças e o poder de Deus. Nesta data festiva para todos os americanos presto uma sincera e comovente homenagem à memória do meu inesquecível pai Humberto Nesi” Na Missa de Ação de Graças realizada no América, tendo como celebrante o Padre Eugênio ( que é cidadão de Natal por outorga desta Casa Legislativa) usando da palavra, disse o torcedor Evilásio Fialho: “Na expressão do amor pelo seu clube, os torcedores americanos adicionam magia, sedução, paixão e religião, num sentimento elevado de fraternidade. Eles têm motivos e direções várias para extravazarem esses sentimentos místicos. É claro que tudo isso agrega e consubstancia, a cada dia que passa, a maravilha que se denomina torcida americana. E essa ôla envolvente congrega o fervor de profissionais liberais, magistrados, políticos, comerciários e comerciantes, autoridades públicas, homens e mulheres do povo, crianças, num deslumbrante espetáculo de pessoas simples, transformando-os em milhares de BAÉS por este RN afora. Essa chama rubra que explode e explode em pulsações fortes dá a certeza de que embora existam pedras no caminho, como frisou Drumont e este seja por vezes tortuoso, o América chegará ao lugar certo dos gloriosos, porque esse é o seu destino. A paixão rubra é latente! Atinge a todos. Alcança inclusive, aos seus servidores, aos seus profissionais que se tornam de logo fervorosos torcedores, como evidenciam os exemplos de Vécio, Souza, Moura, Júlio Terceiro. Thiago Messias e outros, que choram com as derrotas do time, todos contagiados por essa indescritível mística vermelha”. Não poderemos ao findar estas palavras de agradecimento aos senhores vereadores de Natal pelo gesto magnânimo de prestar esta homenagem ao América, pelo decurso dos seus 94 anos de existência, omitir os dias presentes da agremiação que tão bem se postam na difícil trajetória do Campeonato Brasileiro da Série B, edição 2009, deixar de enaltecer os homens de hoje, os que elevam o América nos dias hodiernos: assim nominamos e agradecemos a abnegação de Paulinho Freire, hoje vice-prefeito da Cidade do Natal, Eduardo Rocha, Alex Padang, Ricardo Bezerra, Roberto Bezerra, José Maria Figueiredo, Gustavo de Carvalho, Fernando Nési, Jussier Santos, Carlos Roberto Coelho Maia (atual Presidente do Conselho Deliberativo), Walmir Nunes (filho do valoroso e saudoso Walter Nunes), Klebet Cavalcanti de Carvalho (Diretor do Departamento Jurídico), Antônio Crispim Bezerra (Diretor Administrativo), Clóvis Emídio (Diretor de Futebol), Marcos Meira Pires (Diretor de Futebol), Marcos Cavalcanti (ex-presidente e atual Diretor Financeiro), Álvaro Fonseca de Gouveia, Josebel Sérgio Cirne, Francisco André Diogo(Curió), além das homenagens afetivas que devemos às pessoas de Erinaldo Rafael (Baé), torcedor símbolo do América e Augusto Varela dedicado líder da torcida americana, sem esquecer a dedicação e o zêlo de todo o quadro de servidores do América que, de uturnamente, desenvolvem suas atividades com o melhor amor e indescritível competência. Parece, até, que vivem a cantar: “Eu sou América e tenho orgulho de ser, porque o América em tudo é melhor. É alegria no esporte e no futebol, América! América!”. Minhas senhoras e meus senhores, desejamos concluir formulando uma homenagem especial ao atual Presidente do América, Dr. José Vasconcelos da Rocha, Zé Rocha, para os íntimos, seus familiares e admiradores. Este homem probo, dinâmico, empreendedor, sóbrio e humanista, tem conduzido o América ao ponto mais alto do respeito que um cidadão pode merecer dos seus iguais e da sociedade como um filtrar dos acontecimentos. Em defesa do interesse e do patrimônio do Clube( nos seus mais variados aspectos), Zé Rocha é capaz de romper as barreiras mais difíceis e expugnáveis. Não há portas fechadas para ele: “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena” no dizer tradicional do poeta. Para o Dr. José Rocha não há bola perdida! Parte para cima das dificuldades, tal qual atacante que entra na área do adversário para fazer o gol. É sabido e ressabido que as instituições se sobrepõem aos homens! Mas, em verdade, o atual presidente do América enobrece o sodalício. Desejamos encerrar fazendo enaltecer a todos que no passado e no presente cuidam do América. Regam o Clube. Produzem. Fomentam. Amam as cores rubras. Nada melhor diante de tudo isso do que agradecer. Nada mais cerimonial do que respeitar essa casa legislativa de históricas tradições que hoje homenageia as cores alvirubras. Enfim, nada mais sacrossanto do que invocar neste congraçamento o apóstolo João -“AMEMO-NOS, POIS O AMOR VEM DE DEUS”

PARTIU ANNA MARIA CASCUDO BARRETO - POR ODÚLIO BOTELHO.

ANNA MARIA CASCUDO BARRETO

Partiu Anna Maria Cascudo Barreto,

 Na verdade, cara Lúcia Helena, a nossa estimada ANNA MARIA CASCUDO BARRETO deixa um vazio nos corações de todos os seus amigos. Como é do seu conhecimento, Aninha Cascudo transbordava alegria e espalhava amor e carinho por onde passava. E, pessoas com essas características deixam uma lacuna emocional impreenchível, como ocorre neste momento. Felizmente Anna é inesquecível, não somente por seus dotes de amabilidade, bem como por sua obra intelectual que será reconhecida por gerações futuras, tal o inegável fulgor de seus escritos e a dinâmica de sua própria vida. Que Deus a tenha em seus domínios, é o que auguramos. 

Abraços, Odúlio Botelho.

AN NA CASCUDO - UMA BONDADE QUE POUCOS CONHECEM - ANDRÉ VALÉRIO SALES


Anna Cascudo: Uma Bondade que Poucos Conhecem 

 André Valério Sales Escritor e Assistente Social em Arez/RN, seu confrade na UBE/RN. 1. Introdução: Este meu escrito tem o objetivo de fazer uma ode à minha amiga Anna Maria (Cascudo-Barreto), post-mortem, e citar um ou dois casos que vêm a demonstrar sua bondade, enquanto mulher, poderosa, escritora, acadêmica da ANL/RN, etc., e filha dileta de Luís da Câmara Cascudo. Ou seja, pelo nome do pai, espera-se que a filha única, mulher (ele também teve Fernando Luís), tenha seguido o caminho de seu pai: um homem de coração enorme, que cabia várias pessoas dentro; uma afirmação que é verídica para quem conhece profundamente a sua biografia. Minha amizade de 10 anos com Anna Maria só me provaram que seu coração era enorme, no sentido de caberem em sua afeição pessoas ricas ou pobres, tal como Cascudo, o pai, e que ela era uma pessoa extremamente boa, generosa. Lembro que a tradição nordestina é não falar mal dos mortos. Mesmo assim, como uma repetição dos escritos de outros autores que com ela tiveram a sorte de conviver, e escreveram já sobre a pessoa de Anna Maria, como o amigo Eduardo Gosson, decidi que deveria deixar também escrito meu depoimento sobre ela, procurando, de alguma forma, imortalizar quem já era “imortal” (por ser Anna Maria membro da Academia de Letras do RN, além de mais outras 5 ou 6 Academias espalhadas pelo Brasil). 2. Citações aleatórias sobre a bondade de Anna Maria: Tenho tantas coisas boas para dizer (e escrever) sobre minha amiga Anna Maria, que nem sei por onde inicio... Primeiro: alguém vendedora de uma loja, um dia me disse que não gostava do jeito de Anna, de se dizer filha de Câmara Cascudo, talvez para ser melhor atendida naquele lugar! Quem conheceu Anna Maria sabe que ela amava vestir roupas confeccionadas por bordadeiras nordestinas, inclusive bolsas simples, feitas de tricô (como a que ela usou em meu primeiro lançamento de livro. Quero afirmar com isso que certas pessoas, alheias à vida cultural do Estado, atendiam Anna Maria sem nem sonhar que ela era uma pessoa tão importante, e nem pertencente às classes baixas ou médias. Como poderosa que sempre foi, Anna Maria, mesmo vestida de modo simples, tal como era de seu feitio, gostava, obviamente, de ser bem tratada nas lojas por onde andava, como qualquer pessoa, seja comprando, seja apenas olhando as coisas diferentes às quais poderiam agradar ao seu gosto por compras. Minha crítica a estas pessoas é que elas não compreendiam: nem a simplicidade modística de Anna Maria, nem a reconheciam como uma dama da alta sociedade natalense, digna de respeito, em todos os lugares por onde passava, e minimamente em uma loja de roupas, a ser tratada como qualquer outra natalense, independente da verba que carreguem em seu bolso para gastar com roupas e acessórios! Deus há de perdoar quem cometeu tais des-educações com minha amiga, ou até mesmo, comigo. Independente de minhas roupas, sou muito bem tratado em joalherias que frequento (e gasto dinheiro), tanto em Natal como em João Pessoa, onde morei, onde fiz Mestrado e cheguei a lecionar na UFPB. Segundo: conheci Anna Maria Cascudo-Barreto dentro do Supermercado Nordestão, onde ela fazia suas compras, na Cidade Alta mesmo, perto de sua mansão, em Petrópolis (eram cerca de dez horas da manhã). Há dez anos, naquele momento de compradoras de coisas miúdas, vi Anna Maria sentada em pleno supermercado, como uma idosa, e recebendo “vivas” de alguns frequentadores que a reconheciam. No pouco tempo em que a esposa de um Coronel lhe felicitava (não sei quem era a senhora), logo reconheci que ali estava uma pessoa que não gostava de ser assediada, como uma atriz de TV. Dez minutos depois, me apresentei: – Sou André Sales, venho do Instituto Histórico, Antonieta me ensinou onde fica sua casa e eu estava indo para lá, com a intenção de pedir que a senhora prefaciasse um livro meu (no caso, meu terceiro livro: Câmara Cascudo e seu compromisso com a classes populares). Ela não só me recebeu muito bem, em plena balbúrdia do Nordestão, quanto aceitou ver o livro, e assim, marcamos para outra hora. No entanto, quando ela me disse que morava mais de vinte andares acima do chão, num lugar que dava pra ver a cidade toda, lá de cima (lindo!), meu medo de altura falou mais alto, e eu desisti, marcando o encontro para outra oportunidade. No dia combinado, não consegui subir ao seu apartamento/mansão, nem a pé, como tentei (no oitavo andar minha cabeça começou a rodar), nem de elevador (um primor, coisa de primeiro mundo!). Generosamente, Anna Maria desceu da tranquilidade de seu lar, e veio me atender: um escritor iniciante, ainda que premiado, mas, um verdadeiro abuso de minha parte (neste dia ela já me presenteou com suas memórias cascudianas: O Colecionador de Crepúsculos, de 2003). Porém, ela compreendeu plenamente meus medos e desceu para me atender. Uma pessoa desconhecida, e pobre! O resultado foi o melhor Prefácio que, eu acho, Anna Maria já escreveu. 1) porque ela fala de seu contato com os ditadores civis-militares de 1964 (além de citar seu pai), e, 2) porque ela se deu completamente ao seu texto. Não omitiu nada, e, ao contrário, lavou a sua alma em relação a este assunto tido historicamente como “tabu”. Besta quem não leu o texto... *** Daquele dia, em 2006, há dez anos, Anna Maria prefaciou, de graça, com todo o carinho e bondade, seis de meus oito livros publicados, sempre emparelhada com a Antropóloga Maristela Andrade, Doutora pela Sorbonne, Paris III (um outro Prefácio foi obra de Enélio Petrovich, in memoriam, e outro, do amigo Cláudio Galvão, de ascendência arezense, professor Emérito da UFRN). Não sei se no Hospital Anna Maria teve o prazer de ver mais um Prefácio seu publicado por mim (o último livro meu. E parei...). Este oitavo livro fala sobre os costumes judaicos no Brasil, e em Arez/RN, e por curiosidade própria, sei que Anna Maria amou tratar do assunto, ela que foi na Península Ibérica passear, recentemente, ao mesmo tempo em que foi atrás de suas raízes, talvez judaicas. Resultado: nada indica que a família Freire, advinda do Desembargador Teotônio Freire, seu avô materno, tenha vínculos com os judeus. Há dois anos, liguei para Anna Maria e ela estava nos Emirados Árabes, em Dubai. Antes, esteve na Península Ibérica, como citado. Ano passado (2014), cheia de alegria, ela me disse que foi em Paris, na França, simplesmente passear, na companhia de seu filho único, Nilton Cascudo, além de Daliana e Camila. Ela me disse que amou a viagem, o passeio, e revelou que Niltinho lhe foi uma companhia maravilhosa. Diga-se de passagem, conheci primeiro, antes de todos, Nilton Cascudo, em seu expediente no Memorial Câmara Cascudo. Em minutos, há mais de dez anos, Nilton me deu uma verdadeira aula sobre o movimento dos indígenas entre Arez e outras paragens potiguares, demonstrando conhecimento profundo sobre a obra de seu avô, Luís da Câmara Cascudo. Para mim, Nilton, Daliana e Camila, têm o mesmo peso, se se comparassem os três em termos de inteligência e conhecimento em relação à obra de seu famoso avô. Segundo minha maneira de ver e ouvir as pessoas, tanto Daliana Cascudo, com sua imensa inteligência e conhecimento sobre Câmara Cascudo, quanto Nilton e Camila são igualmente imbatíveis. Como biógrafo, escritor, amigo de Anna Maria, etc., que sou, avalio que Nilton Cascudo se me revelou ser mais uma sumidade no tema. *** Finalizando meu pequeno texto, de reconhecimento e agradecimento, quero relembrar da segunda vez em que tive coragem de subir os mais de vinte andares onde fica a mansão de Anna Maria (afora a primeira vez em que ela desceu para me ouvir): da primeira vez que a coragem me deixou e subi, sempre às oito horas da manhã, morrendo de medo dos mais de vinte andares, ela me ofereceu café, bolo, pão, etc., e eu, sem pensar, lhe disse des-educamanete: – Anna Maria, não me alimentei em casa, em Arez. Obrigado pelo café, mas gosto de comer no breakfest ovo, queijo de coalho frito, etc. Foi apenas um comentário. Somente um amigo confessa isso um para o outro... Demorou para eu ir, de novo, na mansão de Anna Maria, mas, da outra vez, não é que ela lembrou e, antes de me atender, de manhãzinha, a cozinheira me trouxe pão com ovos, bolo, café, e queijo de coalho frito e crocante? Essa é uma pessoa generosa ou não? Eu, um simples escritor e pobre. Ela me deixou feliz com sua lembrança, com sua memória prodigiosa, com seu amor aos que penam por ser alguém nesta vida! Por tudo, por seis Prefácios de meus humildes livros (três deles esgotados), cada um com sua novidade da família Cascudo: obrigado Anna Maria Cascudo Barreto, Deus lhe pague. Deus lhe pague pelos livros que você generosamente me deu, sempre os mais caros da coleção Cascudo, às vezes, em dinheiro vivo, para que eu os comprasse, sem mencionar seu nome, sua ajuda. Peço a Deus que um dia nos encontremos de novo. Agora, só no céu. Juro a você que vou ser uma pessoa boa o bastante, generosa como você, para ter o prazer infinito de lhe encontrar lá, onde você está, no céu, junto com Deus!

 Arez/RN, 21 de janeiro de 2015

domingo, 18 de janeiro de 2015

PADRE MOTA, MESTRE DE MOSSORÓ - POR TOMISLAV R. FEMINICK.



PADRE MOTA
PADRE MOTA, MESTRE DE MOSSORÓ
 Tomislav R. Femenick – Historiador, membro da diretoria do IHGRN. 

 Luiz Ferreira da Cunha Motta nasceu em Mossoró no final da última década do século XIX. Estudou em sua cidade, em Natal, Recife, João Pessoa e Roma, onde se ordenou Padre em 1922, às vésperas de completar 25 anos de idade. Sua tese em teologia, apresentada à Pontifícia Universidade Gregoriana, obteve a classificação de “bone probatus”; aprovada com excelência. Regressou à sua cidade no dia 21.10.1922. Segundo reportagem do jornal “O Nordeste”, o novo sacerdote foi recebido na Estação da Estrada de Ferro pelo Padre Manuel Gadelha, Vigário da Paróquia de Santa Luzia, seus familiares e pelo povo, que compunha uma enorme multidão. Formou-se, então, um extenso cortejo em direção à Matriz. Soltaram foguetes e a banda do Grêmio Musical tocava músicas sacras e alegres. No altar-mor da igreja de Santa Luzia, o Padre orou demoradamente ao som de “Sacerdos Magnus” e palmas da multidão. Quando do regresso à terra natal, o Padre Mota encontrou quase a mesma Mossoró que deixara. O município tinha pouco mais que dezesseis mil habitantes. A cidade possuía trinta ruas, doze praças, cinco travessas e uma avenida, com 1.872 casas, sendo 840 de tijolos e telha, e 1.032 de taipa. Havia menos de trinta escolas primárias, um Grupo Escolar e uma escola de nível ginasial – o “colégio das irmãs”, pois o Santa Luzia estava fechado. As vias públicas eram cobertas com barro e pedregulhos. Não havia calçamento. Quando chovia, as ruas ficavam lamacentas e escorregadias. Durante o dia, o sol imperava abrasador. A escuridão das noites era cortada apenas por poucas lâmpadas de 32 velas, instaladas pela Intendência Municipal. Para reduzir o breu da noite e afugentar os mosquitos, em frente das residências eram acesas fogueiras, misturando-se estrume de gado às brasas. O PADRE O novo sacerdote ocupou vários cargos eclesiásticos: capelão do Colégio Sagrado Coração de Maria, vice-diretor do Colégio Diocesano Santa Luzia (quando este reabriu suas portas), capelania do Sagrado Coração de Jesus, responsável pelo ensino da religião para cerca de 1.200 crianças, vigário da Paróquia de Santa Luzia de Mossoró (quando deu início à construção da Capela de São José) e vigário geral da Diocese, de 1936 até o seu falecimento. Na hierarquia da igreja, o seu posto mais alto foi o de Monsenhor. Meses após tomar posse como vigário da Paróquia de Santa Luzia, o Padre Mota promoveu uma reunião na sacristia da Capela do Sagrado Coração de Jesus, com um número bem reduzido de pessoas. Além dele, apenas seu pai, Vicente Ferreira da Mota, e o comerciante e industrial Miguel Faustino do Monte. O motivo da reunião: a criação da Diocese de Mossoró. Muitas, muitas outras pessoas se agregaram a esse esforço. Miguel Faustino ficou encarregado de levar o assunto junto à Diocese de Natal, a qual a Paróquia de Mossoró estava subordinada. O coronel Mota junto às autoridades, comerciantes e industriais da cidade, e o Padre Mota, juntamente com o Cônego Amâncio Ramalho, se encarregariam de arregimentar apoio entre os outros clérigos locais. Entretanto, tudo isso deveria ser tratado com absoluto sigilo, para não melindrar as autoridades eclesiásticas da Diocese da capital do Estado. Se houvesse dúvidas quanto ao segredo, dever-se-ia recorrer ao sigilo confessional. O Padre Mota reconheceu: “Foi um recurso maquiavélico, mas a causa era nobre e divina”. O passo mais importante foi dado por Miguel Faustino junto ao bispo de Natal, Dom Marcolino Dantas. A ele disse que estaria disposto a fazer uma generosa contribuição em bens e dinheiro, quando fosse oportuno transformar a Paróquia de Mossoró em Diocese. Essa contribuição visaria formar a sua estrutura material, para que ela pudesse funcionar sem percalços. O trabalho durou mais de seis anos. No dia 14.09.1934, o Padre Mota recebeu um telegrama de Dom Marcolino em que este lhe comunicava a criação da Diocese de Mossoró, através de uma bula papal emitida por Pio XI, assinada em Roma e datada de 28 de julho daquele ano. No dia 18 de novembro de 1934, por deferência especial do Bispo de Natal, e em seu nome, o Padre Luiz Ferreira da Cunha Mota presidiu o ato inaugural da nova diocese, pela qual tanto lutara. A celebração teve lugar na Catedral de Santa Luzia e contou com a presença de autoridades e do povo da cidade. NA LINHA DE FRENTE DURANTE A BATALHA CONTRA LAMPIÃO Consta que o ataque de Lampião a Mossoró teria sido a ele sugerido pelo político cearense Isaias Arruda e pelo cangaceiro potiguar Massilon Leite Benevides. Como teste, o bando desse último invadiu com sucesso a cidade de Apodi. Então, vários grupos de cangaceiros se reuniram para, juntos, atacar Mossoró. O ambiente era confuso e havia mais de um comando, embora que Virgulino tivesse ascendência sobre todos. Pelo caminho, assaltavam vilas, povoados e fazendas, roubando, batendo, torturando e fazendo reféns, ao mesmo tempo em que destruíam, quebravam e incendiavam o patrimônio daqueles que não eram seus apaniguados ou acólitos. Mas todos esses casos eram preliminares da grande luta: Mossoró. A cidade se preparou para fazer sua defesa. Foram organizadas trincheiras em diversos pontos da cidade. Segundo o historiador Vingt-un Rosado, no dia 13 de junho de 1927: “Treze horas. O padre Mota [...] vai fazer um reconhecimento pela Cidade. Sozinho, desarmado, ei-lo percorrendo todas as trincheiras. O padre Mota e o cônego Amâncio seguem até a atual Praça Rodolfo Fernandes. Começara a luta. [...] Os dois sacerdotes, com extraordinário sangue frio, estimulam os combatentes. Eram soldados desarmados, os únicos a percorrerem a Cidade, na hora difícil. [...] Na Rua Idalino Oliveira, uma bala vinda da Praça da Independência, quase os atingia”. A luta terminou às cinco horas da tarde. Nenhum defensor da cidade estava, pelo menos, ferido. Os cangaceiros se reuniram ao lado de um muro lateral do cemitério. Um dos atacantes fora morto, seis estavam feridos, quatro em estado grave. Derrotado, Lampião fugiu. LIÇÕES DE DEMOCRACIA NA CALÇADA DO PADRE Muito se fala e pouco se sabe o que realmente é democracia. Na verdade, a maioria a entende apenas como repetição do sistema em que vive ou desejam viver. Todavia, o fundamento maior da democracia é o entendimento republicano de que o indivíduo é “æquabilis in paribus”, igual entre os iguais. A calçada do vigário era o espaço mais democrático da cidade. Era uma assembleia de amigos, à moda da democracia ateniense, onde todos podiam dizer o que quisessem, desde que ouvissem o que os outros falassem. Tudo de maneira pacífica e civilizadamente, sem discussões acaloradas. Nada foi planejado, apenas aconteceu. Na Mossoró de antigamente, cidade ainda pequena, havia o costume das famílias colocarem as cadeiras na calçada para mitigar o calor com o frescor dos ventos do final do dia. O Padre Mota também fazia isso e aproveitava o tempo para fumar seus charutos. Os vizinhos e as pessoas que passavam, sentavam-se para tirar alguns dedos de prosa. Como eram muitos, criou-se o hábito de todos irem buscar suas cadeiras na sala de visitas do reverendo e depois deixa-las no mesmo lugar. As mais ilustres figuras de todas as correntes políticas, inclusive alguns evangélicos, ateus e comunistas, frequentavam essas reuniões. Antonio Capistrano, comunista desde 1960 e ex-vice-prefeito de Mossoró, diz que a calçada do Padre Mota era “o ponto de encontro de políticos, intelectuais e comerciantes da cidade, local suprapartidário, democrático, de papos sobre os diversos assuntos de interesses da coletividade, como também não deixava de ter as fofocas provincianas. Os que participavam dessas conversas lembram-se com muita saudade dos finais de tarde da calçada do padre; ele era espirituoso, piadista e conversador. Padre Mota parece que inspirou Che na sua famosa frase ‘ser duro sem jamais perder a ternura’. É essa a imagem que tenho do padre Mota. Severo nas suas convicções, mas extremamente humano nos seus atos. Isso é, para mim, a razão do bem-querer do povo mossoroense ao seu vigário geral. Homem pronto a servir, participando ativamente dos problemas da cidade”. BRINCALHÃO, O PADRE ENSINAVA QUE DEUS NÃO É TRISTE Uma das características do cidadão Luiz Ferreira da Cunha Mota, inseparável de sua condição de Padre ou Prefeito, era o seu humor ferino, brincalhão, travesso, com um toque de galhofa e de gracejo fino, sem ser grosseiro, nem nunca descambar para o impudor ou para a agressividade. O Padre Mota sabia rir e não gostava de lamúrias, tristezas ou lástimas. Dizia que “Deus não é Triste. Se o fosse, não teria criado o mundo e a vida tão belos. Não teria feito os passarinhos cantar, o amor dos jovens, o sorriso das crianças, o sol, a lua, o mar”. O jornalista Lauro da Escóssia reuniu vários “causos” do padre e publicou um livro com o título de Anedotas do Padre Mota (1986). Em 1951 aconteceu um caso emblemático do seu humor sagaz. Manuel Leonardo Nogueira levou uma filha para ser batizada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, cujo vigário era o padre holandês Cornélio Dankers, o qual se recusou a fazer o batizado, alegando que os padrinhos, João Café Filho e sua esposa, eram comunistas. Note-se que Café Filho era o vice-presidente da República. Manuel Leonardo recorreu ao Padre Mota e o batizado foi celebrado na igreja Matriz. Meses depois, o padre Cornélio falando com o Padre Mota trouxe o assunto do batizado à conversa, dizendo que não compreendia a atitude do seu colega. O Padre Mota respondeu: “Cornélio, eu conheço Café. Ele não é comunista coisa nenhuma. No máximo, é um oportunista. Além do mais, ele estava longe. E, mesmo se eles [Café Filho e a esposa] estivessem aqui e fossem comunistas, eu nunca vi comunista comer criancinha”. PADRE MESTRE Luis da Câmara Cascudo assim escreveu sobre Padre Mota: “Padre Mestre Luís Mota, Prefeito de Mossoró, gordo, atarracado, baixo, com um passo airoso de moço-fidalgo. Padre que viveu oito anos de Roma e conheceu três Papas, que viu a Itália guerreira, bolchevista e fascista, que aprendeu a olhar o povo como organização e jamais como figura de retórica, aí está tua Mossoró, um orgulho para os olhos e uma saudade para o coração. Ninguém se iluda com tua fisionomia espirituosa e plástica, com o humorismo de tuas graças, com o infalível charuto, com a ponteira incansável de tua bengala negra. Nem pelas anedotas que contas, pelos fatos que evocas deliciosamente. Tua história vibra nesse cenário tumultuoso e moderno de existência sem desfalecimento”.

sábado, 17 de janeiro de 2015

ANNA MARIA CASCUDO BARRETO E EU - POR EDUARDO GOSSON. (*)

ANNA MARIA CASCUDO BARRETO



 As relações entre as famílias Gosson e a Cascudo datam, pelo menos, de cinquenta anos e tem diversas nuances. A amizade começou com o lado da moda: as tias Hulimase e Jamyles tinham um atelier de costura onde Anna ia buscar atualizações em moda. Veja o que diz a nossa amiga: Hulimase e Jamyles foram pioneiras em métodos até então desconhecidos dentre as elegantes da província. Tinham máquinas, mas abusavam da essência estilosa. (...) Anos se passaram, fiz vestibular, tornei-me acadêmica de Direito .A moda girou, surgiram modelos diferentes. Mas quando verifiquei a velha bata que usaria no fórum da Ulisses Caldas voltei a procurar Hulimase (...) Lavagem a seco, novas pregas, um laço displicente, a jovem defensora da sociedade se sentiu a altura dos fotógrafos, das cidades vizinhas que documentaram a primeira mulher atuando em Natal como Promotora de Justiça”. Por ser uma pessoa múltipla, Anna Maria não ficou centrada apenas na sisudez do Direito; incursionou pelo Jornalismo impresso (A República) e o audiovisual (TV-Universitária), mantendo uma coluna de variedades. Espírito jovial, estava sempre aberta ao novo; gostava de estar perto da juventude. Após o término do seu Curso Superior, foi designada para a Comarca de São Gonçalo do Amarante/RN e lá chegando encontrou José Gosson como Juiz (ambos instalaram a Comarca). Veja o que diz Anna Maria: “Fui profundamente feliz como a primeira Promotora de São Gonçalo do Amarante. Lá encontrei, como Juiz, JOSÉ GOSSON, irmão de Hulimase. Fomos companheiros de trabalho numa jovem Comarca. Recebemos os primeiros títulos de cidadania e honra especiais. Poti, Iraci e seus filhos me proporcionaram uma vida em família pela primeira vez longe de casa”. Outra vez o destino promove mais um encontro entre nós; trata-se de sua participação na reorganização da União Brasileira de Escritores – UBE-RN, em 2006, participando de todas as reuniões da entidade, e sempre dando boas ideias. Assim expressou-se Anna Maria: “hoje participo já como escritora e acadêmica da União Brasileira de Escritores na sua diretoria (foi a 2ª Vice-Presidente- biênio 2012-2013). Encontro Eduardo Gosson, poeta e escritor, um batalhador cultural. Vejo-o como a síntese da família, naquilo que eles possuem de mais sólido. Seu sobrenome significa árvore frondosa em árabe. Ele é o somatório das virtudes adquiridas em terras brasileira”. Quando se deu o processo sucessório dentro da UBE-RN para me suceder, após seis anos (2008-2013) de intensas atividades, ofereci o cargo de Presidente a ela. Com muita elegância declinou do convite uma vez que estava à frente de outro projeto - a criação do Instituto Ludovicus, órgão para gerenciar e preservar a história do maior escritor do Brasil - LUÍS DA CÂMRA CASCUDO. Por último uma constatação positiva em sua personalidade: Anna Maria Cascudo Barreto era muito sincera e dizia o que pensava. Com certeza está no Céu porque Deus abomina a mentira e ama a Verdade. No livro do Apocalipse, capítulo 22, versículo 15: “Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer um que ama e comete a mentira”.

 (*) Escritor, presidiu a UBE por três mandatos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

MENSAGEM DO PRESIDENTE DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN, PELO FALECIMENTO DE ANNA MARIA CASCUDO BARRETO.





ANNA MARIA CASCUDO BARRETO

O velho casarão da antiga Av. Junqueira Aires, onde nasceu, que hoje tem o nome do seu pai, será sempre uma referência que lembrará a imortal escritora, jornalista, conferencista, folclorista, pesquisadora e Procuradora Justiça. 
 A pranteada amiga, ao longo de suas brilhantes atividades foi agraciada com incontáveis comendas de instituições culturais de todo o País. Teve participação na fundação de várias entidades sociais e cultura do nosso Estado, como da Academia Feminina de Letras do Rio Grande do Norte e Academia de Letras Jurídicas do Rio Grande do Norte. Ocupava a cadeira nº 13 da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, cujo Patrono é o intelectual Luís Fernandes, que teve como primeiro ocupante o Comendador Luís da Câmara Cascudo, sucedido pelo Músico e Escritor Oriano de Almeida.
 Certamente deixará uma lacuna no mundo intelectual, mercê do seu dinamismo e da presença permanente nas sessões, saraus e vida social desta terra de Poty. 
 Rogamos a DEUS pela sua alma e que na Mansão Celestial se reencontre com seus ancestrais e amigos. 
 O Presidente Valério Mesquita determinou luto em nome da entidade e convocou todos os seus associados para se fazerem presentes às solenidades fúnebres, determinando comunicação de pesar à família.

NOTA OFICIAL DA UBE-RN (UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES DO RIO GRANDE DO NORTE)

ANNA MARIA CASCUDO BARRETO

NOTA OFICIAL DA UBE-RN

 A UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES-UBE/RN manifesta voto de profundo pesar pelo encantamento ontem, no hospital São Lucas, da Confreira ANNA MARIA CASCUDO BARRETO, 2ª Vice-Presidente da UBE-RN (2012-2013), ao tempo em que se solidariza com a família enlutada. Anna Maria foi uma das principais personagens na reorganização da UBE-RN, ocorrida em março de 2006, participando ativamente de suas reuniões, sempre se destacando por seus méritos pessoais. Poderia ter vivido à sombra de Cascudo, mas não o fez. Como intelectual tinha luz própria. Lembrando seu pai quando diz “que a morte existe, os mortos não” nós que fazemos a UBE-RN dizemos que você viverá para sempre conosco.

 Natal/RN, 16 de Janeiro de 2015.

 DIRETORIA EXECUTIVA Biênio 2014-2015 
Presidente: Roberto Lima de Souza 
1º Vice-Presidente: Eduardo Antonio Gosson  
2º Vice-Presidente: Manoel Marques da Silva Filho
 Secretario Geral: Jania Maria Souza da Silva 
 1º Secretário: Maria Rizolete Fernandes 
2º Secretário: Paulo de Macedo Caldas Neto 
 1º Tesoureiro: Pedro Lins Neto 
 2º Tesoureiro: Claudionor Barroso Barbalho 
 Diretor de Divulgação: Lucia Helena Pereira 
 Diretor Representações Regionais: Antonio Clauder Alves Arcanjo
 Diretor Jurídico: David de Medeiros Leite

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

EMBATES POLÍTICOS NO TEMPO - POR CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES -MEMBRO HONORÁRIO VITALÍCIO DA OAB-RN.





Na sequência das minhas permanentes pesquisas aos temas da história potiguar deparei-me com um caso interessante, ocorrido na primeira metade do século XX e uma, quase repetição, no segundo espaço do mesmo século. A fonte foi colhida em recente obra, publicada em 1938, que consegui através do meu amigo Inácio Magalhães (“Bispo de Taipu”), com o título: “O Exército em face das Luctas Políticas”, do Major Josué Freire, no qual narra a saga autoritária do Interventor Mário Câmara nos episódios do processo eleitoral de 1934, e a participação do 21º BC, antecedente à Insurreição Comunista de 1935. Desde a chegada do Major Josué, no início do ano eleitoral, este já se deparou com a truculência policial comandada pelo Tenente da Reserva Elias Ferreira de Mello, convocado pelo Diretor do Departamento de Educação, Sr. Benedicto Saldanha, para promover o empastelamento do jornal “A Razão”, do líder sindical Café Filho e, no mais, dificultar o processo de alistamento e o comparecimento às urnas para o pleito de 14 de outubro de 1934, dos eleitores do Partido Popular (de oposição). O acirramento político teve uma vítima fatal, o assassinato do Engenheiro Octávio Lamartine de Faria em 1936, no Município de Acari, por uma volante policial comandada por um Tenente. Ele era filho do ex-Governador Juvenal Lamartine. O inusitado do caso foi o conflito entre o Presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Desembargador Antonio Soares de Araújo e os demais membros do referido Tribunal (Manoel Sinval Moreira Dias, José Theotonio Freire, Horácio Barreto de P. Cavalcanti, Sebastião Fernandes da Silva, Mathias Carlos de Araújo Maciel Filho e do Procurador Miguel Seabra Fagundes), quando, por conta da concessão de vários habeas corpus em favor de eleitores prejudicados e pedidos de garantia de vida por renomados próceres potiguares (Médico José Tavares, Deputado Federal Alberto Roselli, Dr. Bruno Pereira e o empresário João Severiano da Câmara, dentre outros), o Presidente por ofício datado do dia 2 de fevereiro de 1935 requisitou tropas federais para a garantia das eleições suplementares no mesmo mês (dias 3, 6, 10, 13, 17, 19, 21, 24, 26 e 28) nos municípios de São Gonçalo, Goianinha, Lajes, Caicó, Currais Novos, Pau dos Ferros, Ceará-Mirim, Baixa Verde, :Arêz, São Miguel, Touros, Jardim do Seridó, Martins, Flores, Assú, Acari, Mossoró e Luís Gomes, enquanto o Plenário do TRE aprovava decisão em contrário, sob a alegação da incompetência do Presidente para tal medida, somente possível pelo Tribunal. De qualquer forma, o fato conseguiu evitar nova truculência, haja vista que houve algum deslocamento de tropas, que permaneceram em estado de alerta e o pleito foi realizado sem maiores percalços. Esse fato conflituoso gerou uma série de trocas de conferências telegráficas envolvendo o Major Josué Freire, Comandante da Guarnição do 21º BC, o Cel. Castro Pinto, depois o Gen, Manoel Rabello, Comandantes da 7ª Região em Recife, o Ministro Hermenegildo de Barros, Presidente do TSE e o Ministro da Guerra , Gen. Góes Monteiro. O resultado dessa querela judicial terminou por alterar a situação das eleições de outubro de 1934, então favorável ao partido do Interventor (Aliança Social=PSD e PSN), para a vitória dos candidatos do Partido Popular após a apuração da eleição suplementar proclamada um ano depois, que conseguiu eleger o Governador da oposição Rafael Fernandes Gurjão. O clima, no entanto, continuou agitado, com movimentos da classe trabalhadora, que realizou greves até que em novembro ocorreu a “Intentona Comunista”, de curtíssima duração. Este assunto é corroborado no livro “História de uma Campanha”, do Professor Edgar Ferreira Barbosa, recentemente reeditado pela EDUFRN. Estranhamente, em 1962 quase se repete o fato, com a controvérsia: o Tribunal solicitava reiteradamente a garantia de força federal, mas o TSE demorava a decidir baseado em informações do General Muricy, que por sua vez tinha a promessa do Governador Aluizio Alves de garantir o pleito, enquanto este mesmo Governador fazia proselitismo político acusando o TRE de não querer a força federal provocando a decisão do Colegiado de suspensão do pleito, quando então o TSE, tomando ciência da verdadeira história, apoiou o Tribunal Regional e as tropas se deslocaram em tempo, evitando qualquer tentativa de fraude nas eleições, que ocorreram sem qualquer problema, mercê da determinação de autenticação de todas as cédulas pelos membros da Justiça Eleitoral. Presidia o TRE o meu pai, Desembargador José Gomes da Costa.

CARTAS DE COTOVELO 06 (versão 2015) - POR CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES.

Embora um tanto magoado da vida e com menor capacidade para escrever as minhas Cartas, com algum esforço estou voltando ao estado de normalidade neste veraneio que já se aproxima do final. Consegui fazer algumas leituras praianas, nas quais incluí amenidades como: ”Cais natalenses”, do poeta Lívio Oliveira; “Um Equívoco de Gênero e outros Contos”, de Nelson Patriota e “Rosinha dos Limões”, de Augusto (Guga) Coelho Leal. Contudo, não descurei de obras sobre histórias do nordeste e, particularmente, da terra potiguar, a saber: 1. “A Sedição do Juazeiros”, de Rodolfo Teófilo, narrando a violência da política cearense no início do século XX, com o envolvimento de pessoas notabilizadas na região, como o Padre Cícero, Capitão José da Penha, Franco Rabelo e Floro Bartolomeu; 2. “O Exército em face das Luctas Políticas”, do Major Josué Freire, editado em 1938, no qual narra a saga autoritária do Interventor Mário Câmara nos episódios do processo eleitoral de 1934, e a participação do 21º BC, antecedente à Insurreição Comunista de 1935. Este último cuida dos episódios acontecidos desde a chegada ao Estado do Major Josué, no início de ano eleitoral, onde já se deparou com a truculência policial iniciada com o empastelamento do jornal “A Razão”, do líder sindical Café Filho e, no mais, dificultar o processo de alistamento e o comparecimento às urnas para o pleito de 14 de outubro de 1934, dos eleitores do Partido Popular (de oposição). O acirramento político teve uma vítima fatal, o assassinato do Engenheiro Octávio Lamartine de Faria em 1936, no Município de Acari, por uma volante policial comandada por um Tenente. Ele era filho do ex-Governador Juvenal Lamartine. O inusitado do caso foi o conflito entre o Presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Desembargador Antonio Soares de Araújo e os demais membros do referido Tribunal (Manoel Sinval Moreira Dias, José Theotonio Freire, Horácio Barreto de P. Cavalcanti, Sebastião Fernandes da Silva, Mathias Carlos de Araújo Maciel Filho e do Procurador Miguel Seabra Fagundes), quando, por conta da concessão de vários habeas corpus em favor de eleitores prejudicados e pedidos de garantia de vida por renomados próceres potiguares (Médico José Tavares, Deputado Federal Alberto Roselli, Dr. Bruno Pereira e o empresário João Severiano da Câmara, dentre outros), o Presidente por ofício datado do dia 2 de fevereiro de 1935 requisitou tropas federais para a garantia das eleições suplementares no mesmo mês nos municípios de São Gonçalo, Goianinha, Lajes, Caicó, Currais Novos, Pau dos Ferros, Ceará-Mirim, Baixa Verde, :Arêz, São Miguel, Touros, Jardim do Seridó, Martins, Flores, Assú, Acari, Mossoró e Luís Gomes, enquanto o Plenário do TRE aprovava decisão em contrário, sob a alegação da incompetência do Presidente para tal medida, somente possível pelo Tribunal. De qualquer forma, o fato conseguiu evitar nova truculência, haja vista que houve algum deslocamento de tropas, que permaneceram em estado de alerta e o pleito foi realizado sem maiores percalços, do que provocou a alteração do resultado das eleições de outubro de 1934, então favorável ao partido do Interventor (Aliança Social=PSD e PSN), para a vitória dos candidatos do Partido Popular após a apuração da eleição suplementar proclamada um ano depois, que conseguiu eleger o Governador da oposição Rafael Fernandes Gurjão. O clima, no entanto, continuou agitado, com movimentos da classe trabalhadora, que realizou greves até que em novembro ocorreu a “Intentona Comunista”, de curtíssima duração. Estranhamente, em 1962 quase se repete o fato, com a controvérsia: o Tribunal solicitava reiteradamente a garantia de força federal, mas o TSE demorava a decidir baseado em informações do General Muricy, que por sua vez tinha a promessa do Governador Aluizio Alves de garantir o pleito, enquanto este mesmo Governador fazia proselitismo político acusando o TRE de não querer a força federal provocando a decisão do Colegiado de suspensão do pleito, quando então o TSE, tomando ciência da verdadeira história, apoiou o Tribunal Regional e as tropas se deslocaram em tempo, evitando qualquer tentativa de fraude nas eleições, que ocorreram sem qualquer problema.